domingo, 9 de dezembro de 2012

Atelophobia é o nome dado ao medo de não ser suficiente bom. Poderia muito bem ser meu nome também, com  endereço e local marcado. Um "X" tatuado bem no meio da minha testa cairia bem. Assim, talvez as pessoas já estariam avisadas antes de se aproximarem de mim e evitariam expectativas. Decepções. Evitariam me amar.
Caramba, me amar, tá aí coisa difícil! Eu me limito. Não me entrego. Não boto corpo e alma. Ninguém me vê como eu realmente sou. Eu sei - infelizmente - que se a pessoa me conhecer transparente, não aguentaria. É tanta informação e dor junto que, às vezes, até eu não acredito que caiba tudo isso numa bagagem média de 16 anos.
Antes de me conhecer, saiba: Sou a pessoa mais insegura da face da terra. Então, não estranhe se eu voltar três vezes para ver se tranquei direito a porta de casa, se o portão tá com o cadeado e que meu coração tá blindado. Não repara se tiver dias que eu não sei o que falar, mas (por favor!) tenta falar comigo, não me deixa não. Não desiste de mim. O que eu guardo aqui dentro, bem escondido, é grande. 
Por isso, não estranhe se eu lhe perguntar diversas vezes no mesmo dia se você ainda gosta de mim. Sempre fui assim, sempre precisei reafirmar minhas certezas.

sábado, 6 de outubro de 2012


"A primavera em Louisiana sempre foi duvidosa. Digo, com tantas árvores composta por  flores - amarelas, vermelhas e até azuis-, não seria estranho nenhuma delas balançar? E olha, o vento sopra forte. Não é à toa que acordo dezenas de vezes durante a noite para fechar minha janela. Sempre falei meu pai sobre o desperdício que seria comprar uma casa grande no ponto mais alto da cidade.
O menino do mercadinho passa para deixar o leite fresco todo dia, ao mesmo horário. Costume comum nos anos 30. Ele tem um lindo sorriso, diferente de suas roupas. Ele é o que meu pai chamaria de resto. Ora, a hipocrisia é a principal moradora em minha casa, desconfio que durma junto a meu pai.
Ficarei aqui, a espera de uma folha cair. A primavera já está no fim e as ruas continuam limpas de flores e imunda por pessoas vazias.
 Elas não deveriam crescer nessa cidade. Digo, perceba como elas são fortes e bonitas e no entanto seria um verdadeiro crime se suas folhas invadissem as ruas. Os ricos enlouqueceriam!
 As pessoas são alimentadas por ignorância.  - Conclui.
— 
Eles são o resto. - Finalizou o menino do leite. "


— Amarelas, vermelhas e até azuis por Manuella Braga.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Três passos e retrocesso.



Já faz tempo que me sinto assim, de alguma forma sufocada. Sem direção, sem caminho. Perdida tentando me achar. De certo modo encontrar um lugar aconchegante, sem demais luxos. Apenas paz. Não quero a companhia de ninguém. Na verdade, quero só a mim mesma. Faz tanto tempo que não me encontro.
Eu sinto falta de mim.
De fato, sinto tanta falta.
Agora só me resta isso. Sou isso (...) 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Tu ainda mora aqui, no meu coração.




Eu sinto a maior saudade do mundo das coisas simples. Daquele seu abraço quando eu chegava da escola, de deitar na cama e ficar olhando filme contigo até de madrugada, das histórias que você contava sobre sua infância. Eu tenho saudade de pentear seus fios na careca, aqueles que você chamava de cabelo. Saudade de rir da sua unha, por que ela era muito engraçada! Saudade de virar a esquina e ver você vindo lá distante e correr pra tacar um abraço.  Eu tenho necessidade de um último abraço. Tenho saudade de dizer que eu te amo e que você era a melhor pessoa do mundo pra mim. Saudade do meu herói, do meu cúmplice.  
Eu choro de me descabelar, choro de soluçar e vou chorar eternamente só de saber que você nunca mais vai voltar. Choro por que dói, por que eu me sinto incompleta.
Quero te dizer que eu vou ficar bem,  que eu não vou desistir. Que sim, está difícil mas que eu sei que você não me abandonou.  Você ainda tá aqui dentro de mim, dentro do meu coração e daqui ninguém te tira!
 Quero te pedir desculpas por todas as vezes que eu gritei, que eu briguei com você por bobagem. Desculpas principalmente por quando mais você precisou, eu não estar tão presente. Eu não conseguia te ver daquele jeito. Se eu pudesse trocar de lugar contigo, ah meu Deus, se eu pudesse com certeza eu teria ido no  teu lugar! 
Digo à ti que aguardo ansiosamente pelo nosso encontro, mesmo que demore alguns anos, 50 anos, eu sempre vou me lembrar de ti. Vou contar aos meus filhos, netos e assim por diante que quando eu era bem jovem conheci um anjo, alguém que me ensinou que não se precisa ter tudo pra ser feliz. Alguém que me fazia sorrir só por parar o seu olhar sobre mim. Por me cuidar.
Valorize quem está do seu lado. Você  nunca sabe quando Deus vai tirar alguma coisa de você.
Eu sinto muito a sua falta, Vô. 




quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sem super bonder.



Fechei os olhos e contei até setenta, sussurrando mentalmente palavras bonitas que me confortasse de tal maneira que talvez, por algum momento, eu esquecesse essas tais cicatrizes invisíveis. Você sabe do que eu estou falando não é? Esses machucados que você tem aí dentro do seu coração e não conta a ninguém. É, você sabe. Eu às apelidei de 'cicatrizes invisíveis' por que ninguém às vê, mas eu sei que elas estão ali. E ficarão para sempre.
A super bonder acabou, então, sem ajuda agora coração! Só eu e você juntando os caquinhos (de novo),  e pare de reclamar, eu também não espera esse fim pra mim.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Volto à te lembrar.


Nunca considerei ser diferente um ponto negativo. Bem ao contrário.
Quando eu tinha doze anos, meu professor passou um texto sobre o qual falava entre diferenças e igualdades, logo após ele perguntou para a turma:
- Para vocês, o que é mais importante: a igualdade ou a diferença?
Quase todos responderam a igualdade. Quase.
Pois bem, fui a ovelha negra entre meus colegas. 
- A diferença para mim professor! - Corajosamente disse.
Seus olhos incrédulos de homem mais velho se dirigiram rapidamente e se pararam sobre mim.
- E por que você acha isso Manu? - Indagou ele.
- Bom, o que seria do azul se todos gostassem do vermelho? - Simplesmente disse e sorri.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Colapso Interno



Pense em dor. Pense em não ser o suficiente para nada e para ninguém. Pense em ser inútil, ser inválida, incapaz. Pense em ser atriz das suas próprias dores, pense em disfarçar um sorriso, em enganar seus amigos com o típico 'está tudo bem'. Pense em tentar enganar a si próprio. 
Você já quis ser o centro das atenções certo? Eu sei que sim.. Todos nós já queremos de algum jeito isso. Carinho, cuidado, atenção. Seja sincero contigo mesmo, tu já aumentou a tua própria dor para o interesse dos outros?
Você acha que dói? Você acha que não da mais para aguentar? Você acha que esse é o fim? Outra pergunta! Posso te oferecer meu lenço para você enxugar suas lágrimas? Por que, meu bem, a dor nem começou ainda.
Preste atenção, quando você acha que vai terminar, quando você acha que vai ter uma trégua, cuidado, vai vir uma rasteira e te derrubar, te largar no chão. E você vai sentir vergonha de pedir ajuda, vai se sentir humilhada. Vai preferir o 'está tudo bem' ao invés de 'preciso de um abraço'.

Pense em dor e silêncio. Agora pense em carregar essas duas coisas juntas dentro de ti. Insuportável não é?
Você pensou?
Pois bem, eu estou sentindo.